sexta-feira, 15 de abril de 2011

FALCÃO NO INTERNACIONAL (exclusivo no blog)

O companheiro e amigo Gerson Ben, um dos melhores narradores de futebol do Brasil, escreve sobre o retorno de Paulo Roberto Falcão à Academia do Povo (para quem não sabe, o glorioso S.C. Internacional). Deixo para o Gérson "narrar" o golaço que o Colorado marcou.


Falcão, o verdadeiro
 ídolo do colorado!

    Gerson Luis Ben*
Não sei se o Falcão dará certo no Inter. Estou escrevendo antes de sua estreia e não será por uma entrevista ou outra ou por seus comentários na Globo, RBS e Rádio Gaúcha que saberemos de antemão. Qualquer prognóstico neste sentido é mero exercício de adivinhação. Se eu escrevesse agora que ele iria dar certo e se transformar em um dos melhores técnicos do Brasil ou do mundo, me consagraria se acertasse e nada me aconteceria se eu errasse. O contrário a mesma coisa. Não podemos fazer este exercício da previsão nem sequer baseado na sua experiência anterior na seleção, América do México, Inter e seleção japonesa. Faz tanto tempo que não é possível fazer uma análise daquele período de 15 anos atrás. Falcão esteve fora durante todo este tempo.
Mas, eu tenho uma certeza. A minha certeza é de que se um clube em todo o mundo deveria dar uma chance ao Falcão, sabido desde o ano passado que ele queria voltar, este time não poderia ser outro que o Inter. Por isso eu estou radiante como colorado. Porque, independentemente daquilo que irá ocorrer, meu Inter deu a chance de Falcão mostrar suas convicções. Sim, eu não me importo se ele fracassar e perder. O próprio Falcão em sua entrevista trata de sepultar qualquer frustração ao dizer a frase perfeita. “Minha história no Inter não se apaga”. De fato, não se apagará e poderá ser só maior, jamais menor.
No ano passado o então vice-presidente de futebol Fernando Carvalho vetou Falcão. O único jornalista que eu li, que falou a respeito foi o Nando Gross e seu texto à época me pareceu perfeito. O link a seguir poderá levá-lo até ele.
O texto do Nando levanta um questionamento sobre aquela posição que sequer é confirmada pelo ex-dirigente que, oportunisticamente, agora diz que foi uma má interpretação e que já se desculpou com Falcão e talicoisa. Desculpe mas não acredito e vou explicar porque não acredito. O Falcão não se enquadra no perfil que o Fernanado Carvalho quer como treinador. Não se enquadra mesmo. Falcão não aceitaria escalar um jogador que não rende nada como Wilson Matias porque o dirigente acha que o jogador é maravilhoso ou tem lá sabe-se que outros interesses nisso. Não, a não ser que me traia, Falcão não se sujeita a isso e Fernando Carvalho precisa de quem se sujeite.
No entanto, há outro explícito exemplo da diferença entre Falcão e Fernando Carvalho. É o passeio de ambos pelo mundo das letras. Fernando carvalho e Falcão não são escritores, embora o segundo escreveu muitos anos em Zero Hora como cronista. Os dois escreveram sobre experiências deles no Inter. Carvalho publicou “De Belém a Yokohama”, livro que procura destacar a trajetória de seu grupo na direção do Inter no período entre o quase rebaixamento no brasileirão de 2002 e a conquista do mundo em 2006. Falcão escreveu “O Time que nunca Perdeu”, livro de memórias da conquista do campeonato brasileiro invicto de 1979, até hoje inédito no futebol brasileiro. Quem leu da mesma forma que eu, os dois livros, sabe explicar melhor a diferença entre Fernando carvalho e Falcão. O livro de Carvalho é um poço de arrogância, o de Falcão é um exercício de humildade. Falcão fez uma homenagem aos seus companheiros, dos mais exitosos ainda hoje como Mário Sergio e Batista por exemplo, que todos sabem quem são, até os esquecidos como Bira e outros. Carvalho ao contrário é só arrogância, sequer consegue superar seus ranços com dirigentes do passado, mostrando a mais absoluta falta de grandeza
Como muitos sabem, sou radialista esportivo. Durante mais de 25 anos fiquei por aí gritando gols. Especialmente fiz isso em Caxias do Sul. Tenho saudade de fazer desde 2007 quando abandonei quase que definitivamente minha atividade, pois me mudei para Brasília para outros desafios. Digo quase porque ando ensaiando a volta. Tenho exercitado um pouco. Uma coisa, no entanto é positiva a propósito de meu afastamento. Eu escancarei meu coloradismo, andava com ele assim como o Falcão comentou em sua coletiva de apresentação, represado. No Rio Grande do Sul é assim, a gente tem que sufocar o sentimento, como coisa que se algum colorado descobrir que o Pedro Ernesto é gremista vai deixar de amar ouvir ele com suas tiradas geniais narrando os jogos do Inter, ou um gremista no sentido inverso. Nada, o Pedrão é o cara e pronto. Então quando eu voltar, se eu voltar, jamais permitirei que meu time do coração fique represado dentro de mim. Assim como lá em Caxias do Sul vou viver bem com a torcida do Juventude mesmo ela sabendo que eu torço pro Caxias.
Este parágrafo aí acima foi só pra dizer quem sou eu para quem não me conhece, meu objetivo mesmo é falar do Falcão. Falei do Fernando Carvalho na comparação porque o veto dele ao Falcão me revoltava, me indignava. Eu não tenho nada pessoal contra o Carvalho, pelo contrário respeito as conquistas que ele teve dirigindo o Inter. Mas, assim como não me agrada torcedores de meu time cantando o hino rio-grandense quando está tocando o hino nacional do meu País, não me agrada chegar ao Beira-Rio e ver uma bandeira com a cara do Fernando Carvalho, mesmo que cada um tenha direito de se expressar como quiser. O Carvalho e sua arrogância tem até meu respeito, mas o Falcão, ah o Falcão, o Falcão é meu ídolo. Dele eu jamais esquecerei, nem pensar, é um orgulho eu saber que o Falcão se criou e jogou no meu time. E no meu caso com o privilégio de ter visto.
Independente do que vai acontecer a partir do próximo sábado (14/04), viva o Falcão!

 *Gerson Luis Ben é radialista e trabalhou muitos anos como narrador de futebol no RS, especialmente na Rádio Caxias. Atualmente mora e trabalha em Brasília

3 comentários:

Gladis Ben disse...

Grande Gerson! Sempre "escancarando" que ser colorado é muito bom. Belo texto. Amei... Gladis Ben

Antônio Leite disse...

Camarada Gerson,
Nossas paixões futebolisticas são iguais (Caxias e Inter, nesta ordem)e sabes o amigo que concordamos em inúmeras outras opiniões.Um abraço!

EM BRASÍLIA, 24 HORAS - Carlos Leite disse...

O Gerson acertou na veia nesse artigo. Ele é o cara, mesmo. Sabe colocar as palavras como muita propriedade. Valeu, Gerson. Leite